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A (in)conveniência histórica do 13 de maio

A (in)conveniência histórica do 13 de maio
11:00 am ,13 de maio de 2019

Os mais de 300 anos de trabalho escravo, mesmo depois de 131 anos de abolido, solidificou a população negra na base da pirâmide social com profundas assimetrias entre “privilegiados” e “desprivilegiados destituídos de direito”. Ou seja, as consequências sociais e culturais vivenciadas pela população negra na atualidade guarda estreita relação com a negativa de suas origens, não porque assim o negro o quisesse, mas pela permanência de um sistema quase eugênico também no aspecto intelectual e cultural.

Ao reproduzir o ensinamento de que o “13 de maio” deva ser celebrado como o marco de um conjecturado bravo, destemido e humanizado ato da Redentora Princesa Isabel, por meio da sanção da Lei Áurea, nega-se a existência de um movimento de diáspora, que com preço de sangue já havia feito libertas incontáveis vidas em solo brasileiro.

Quanto de historicidade se confere à biografia do advogado Luiz Gama no movimento de resistência, havendo ele mesmo sido escravizado? Em que páginas dos livros de história com que as crianças brasileiras são educadas lhe é reservado o devido lugar de destaque, ladeando Joaquim Nabuco, André Rebouças e José do Patrocínio? A figuratividade quase teatral que se confere a Zumbi dos Palmares e Dandara afronta o reconhecimento do papel real e histórico desses indivíduos em prol da libertação dos negros escravizados e deturpa de forma ainda mais acentuada a concepção de que o único adjetivo que caiba ao negro no Brasil até o ano de 1.888 seja o de escravo.

Em respeito à luta pela liberdade de outrora, é preciso que haja uma ação coletiva para que as pessoas entendam a luta antirracista e o significado real da palavra “empoderamento”, pois só assim diminuiremos as desigualdades sociais e fortaleceremos a identidade da população negra que resistente bravamente à perda de seus territórios e à demonização de suas crenças de origem.

Por Shirley Teodoro, Thais Corcetti e Marina Cezário
Comissão de Promoção da Igualdade Racial da 20ª Subseção da OAB/MG

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