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Daniel Salton, presidente da vinícola brasileira, fala ao Perfil

16:52 pm ,29 de janeiro de 2013

por Renata Mitidiere

Com mais de 100 anos de história, a Vinícola Salton se firmou como a principal marca nacional de vinhos. Algo, pouco tempo atrás, impensado para um mercado bastante fechado e tradicionalmente consumidor de produtos importados. A estratégia da vinícola foi fincar a bandeira da qualidade e mostrar ao consumidor que terras tupiniquins podem, sim, produzir vinhos de alta qualidade.

Prova disso é que hoje, a Salton está presente inclusive, no mercado mais tradicional de toda a história do vinho: o continente europeu. Está presente em treze países: como Estados Unidos, Canadá, Reino Unidos, Bélgica, Suíça, Finlândia, Holanda, Polônia, República Tcheca, Alemanha, China, Japão e Austrália. A empresa é essencialmente familiar e seu atual presidente é Daniel Salton, membro do clã que fundou a vinícola.

Desde 2012 a Vinícola Salton vem mostrando seu novo posicionamento de mercado, com investimento total que deve chegar a R$45 milhões, ao longo de até sete anos. O que vai, também, expandir a área de cultivo e reduzir os custos de produção em 40% no período. Além disso, já estão prontas novas caves, construídas para abrigar a nova produção de espumantes, que serão elaborados pelo método Champenoise, o mais tradicional.

Os vinhos produzidos no Rio Grande do Sul já receberam importantes prêmios internacionais. Só em 2013, foram 12 reconhecimentos em países como Canadá, Inglaterra e França. Líder na venda de frisantes e espumantes do mercado nacional, Daniel Salton afirma que o gosto do brasileiro são mesmo os tintos da variedade Cabernet Sauvignon. Mas o presidente da vinícola diz que o consumidor brasileiro “espera, hoje, vinhos e espumantes diferenciados, que sejam leves, frutados e alegres como o clima do Brasil”.

Em entrevista exclusiva ao Perfil, Daniel Salton faz uma análise do mercado nacional e da perspectiva com as exportações que, por enquanto, representa 1% do faturamento total.

PERFIL: Como foi o trabalho para transformar a vinícola de produção local artesanal para a principal do Brasil, uma das melhores da América Latina e ainda figurar entre os melhores vinhos do mundo, inclusive com prêmios internacionais?
DANIEL SALTON: Este trabalho já ultrapassou mais de 100 anos. Foram inúmeros fatores nacionais e internacionais que influenciaram no desenvolvimento da vinícola para que chegássemos ao que ela é hoje. Uma pessoa importante na história de nosso primeiro centenário foi Angelo Salton Neto, grande incentivador que buscava sempre manter a família unida. Atualmente, estamos dando continuidade ao trabalho desenvolvido por ele, visando novos conhecimentos e pessoas que nos assessorem para estarmos sempre atentos às mudanças de mercado, consumo, novas tecnologias etc.

PERFIL: O Brasil é um país tropical, mas que também tem invernos bastante rigorosos. Para você, nosso clima favorece o consumo de vários tipos diferentes de vinhos?
DS: Para entendermos o consumo no Brasil temos que dividi-lo em duas partes. O território brasileiro, em quase sua totalidade, possui clima tropical, com temperaturas amenas. Apenas nas regiões Sul Sudeste é que encontramos invernos mais rigorosos, de frio intenso. Esta realidade teve que ser entendida pelas vinícolas quando elas buscaram apresentar seus produtos nestes mercados. O consumo, restrito a algumas poucas regiões, ainda é, predominantemente, dos vinhos tintos, mas temos consciência de que os espumantes, devido às suas características, irão ganhar o gosto dos brasileiros e modificarão esta realidade. Em se tratando do mercado externo, inicialmente houve o enfrentamento com vinhos do velho mundo, o que fez com que os produtos brasileiros buscassem se parecer muito com estes: bastante madeira e mais alcoólicos. Recentemente, houve o entendimento, através da interação com o mercado, que o consumidor espera vinhos e espumantes diferenciados, que sejam leves, frutados e alegres como o clima do Brasil.

PERFIL:
Qual é o vinho preferido dos brasileiros
DS: Quando falamos em vinhos, o consumidor brasileiro tem em mente, principalmente, os elaborados com a variedade Cabernet Sauvignon. A tendência de consumo tem mostrado ainda um crescimento nas variedades Merlot, Tannat e, nos próximos anos, em alguns brancos. Em relação aos frisantes, o mercado ainda está aquecido, mas o consumo se apresenta moderado. O que tem crescido fortemente, nos últimos 10 anos, é o consumo de espumantes. A Salton visualizou esta realidade e se preparou para atender esta demanda, principalmente nos produtos elaborados pelo Método Charmat, que são mais leves e frescos. Nos próximos dois anos, será possível também aumentar a capacidade nos espumantes elaborados pelo Método Champenoise (tradicional), visto que as novas caves, construídas para abrigar as garrafas, estarão concluídas.

PERFIL: A exportação já representa parcela expressiva do faturamento da vinícola?
DS: As exportações ainda representam um percentual muito pequeno em relação ao volume global, algo em torno de 1%. Atualmente, a Salton está presente em países como Estados Unidos, Canadá, Reino Unidos, Bélgica, Suíça, Finlândia, Holanda, Polônia, República Tcheca, Alemanha, China, Japão e Austrália.

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