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Fundação Cultural menospreza produção cultural de Varginha

Fundação Cultural menospreza produção cultural de Varginha
10:38 am ,28 de julho de 2016

da Redação

O que leva um gestor público da área da cultura da cidade a menosprezar a produção cultural dessa mesma cidade? Varginha costuma ter alguns casos peculiares nesta área, mas o atual superintendente da Fundação Cultural de Varginha eleva o caos a níveis estratosféricos. A entidade comanda um canal de televisão, uma emissora de rádio e o teatro da cidade sob orientação do “professor” Francisco Graça de Moura.

Em entrevista levada ao ar pela TV Princesa (canal administrado pela Fundação) e publicada na página da emissora no dia 22 de julho, Graça de Moura ataca os produtores culturais de Varginha, diminuindo a importância do trabalho deles na cidade. Em sua fala, o superintendente chama aqueles que trazem espetáculos para Varginha de “frentistas”. Para ele, “produtor cultural é quem escreve roteiro, contrata ator, realiza uma camerata. Esses que representam empresas do Rio de Janeiro e de São Paulo são frentistas, que é o termo pelo qual eles são conhecidos no meio”, afirmou.

A expressão utilizada por Graça Moura revoltou os produtores culturais de Varginha, pelo tom de desdém que o gestor adotou ao se referir a eles. Marco Antônio Pinto, um dos sócios da MM Produções Artísticas, uma das que mais tem trazidos espetáculos teatrais para a cidade, reclama da falta de transparência e de apoio da Fundação Cultural. “Nós temos um trabalho imenso para trazer espetáculos de qualidade, com atores conhecidos, com bons enredos e não temos apoio nenhum da Fundação. Aliás, a forma como eles agem dificulta muito o nosso trabalho”, afirma o empresário.

Marco Antônio afirma também que não há transparência nas ações da Fundação Cultural de Varginha. “Em outras cidades da região, a gente consegue agendar datas por telefone e fazer uma programação. Em Varginha, não existe um calendário aberto a todos, não dá pra saber se tem ou não uma data disponível. A gente fica à mercê do jogo político do Graça de Moura e fica parecendo que ele só aprova uma data quando é conveniente pra ele”, esclarece.

O Theatro Capitólio foi fechado para reforma dos banheiros e camarins e deve permanecer sem nenhuma atividade até o final do mês de setembro. A revitalização faz parte do cronograma de reforma de todo o prédio iniciada em 2013, com verba do IEPHA (Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais). No total, esta etapa da reforma deve custar R$38.000,00.

Como não há um calendário disponível com as datas em aberto, para os produtores culturais da cidade, ainda que o aviso tenha sido feito no mês de julho, em comunicado oficial à imprensa, o fechamento aconteceu de forma abrupta. “Nós não temos como planejar nenhum espetáculo de acordo com as datas que se encaixam na agenda dos artistas ou das peças maiores porque nós não temos acesso ao calendário de datas do teatro”, desabafa Marco Antônio.

Metendo o bedelho
Como se não fossem poucos os problemas causados por alguém que se acha soberano em sua seara, Graça de Moura ainda mete o bedelho onde não foi chamado e está tentando esticar seus braços para o setor de alimentação. Em nova entrevista, desta vez publicada hoje (27/07), Graça de Moura anuncia a “criação” de um evento “inédito” em Varginha: o festival “Rango de Rua”. Com realização prevista para os dias 09 e 10 de setembro, o evento será uma reunião de food trucks.

O anúncio deste festival também foi feito no Boletim Informativo da Fundação Cultural de Varginha – 2º semestre de 2016. Nele, Graça de Moura afirma que a motivação para realizar o “Rango de Rua” é “pela escassez de iniciativas do gênero na região, pelo fortalecimento da ampliação da oferta cultural e gastronômica, pelo incentivo aos pequenos produtores e estabelecimentos alimentícios e pela inserção de Varginha e da microrregião do entorno no circuito turístico do estado, pretende se fixar no calendário de eventos no município a partir de 2016, fazendo-se perpetuar, a cada edição, a cultura da gastronomia e dos eventos de rua na cidade”.

Será que ele não mora em Varginha? O Festival Gourmet de Varginha teve sua segunda edição em 2016, com público de mais de 53 mil pessoas, segundo dados auditados pelo Via Café Garden Shopping. No ano de 2015, o evento contou com a participação de cerca de 30 mil pessoas em um dia e meio de realização e, no segundo semestre, envolveu estabelecimentos de seis cidades da região no Rota do Sabor Gourmet. Este último, inclusive, já tem data marcada para a segunda edição: 12 a 30 de setembro. Participam as cidades de Varginha, Elói Mendes, Paraguaçu, Machado, Três Corações e Três Pontas.

Vale ressaltar que um evento com a magnitude do Festival Gourmet trabalha exclusivamente com empresas locais, trazendo o retorno para Varginha e para a região do Sul de Minas fortalecendo a economia e a cultura local. Por outro lado, quando se analisa a participação de Food Trucks em um evento gastronômico, o retorno financeiro não é para a região que o recebe, afinal, os Food Trucks percorrem todo o país levando o investimento para fora do seu ponto origem. Outro ponto a se destacar, são os bares e restaurantes que são desfavorecidos durante a estadia dos Food Trucks na cidade, visto que são concorrentes desleais quando se compara os preços referentes aos serviços oferecidos.

Outra questão: se o objetivo é fortalecer os microempresários do setor, por que o sindicato que representa os bares e restaurantes da região não foi convidado para o projeto? O SEHAV (Sindicato Empresarial de Hospedagem e Alimentação de Varginha) representa os empresários do segmento e realiza diversas atividades visando a melhoria e o crescimento da gastronomia como opção de lazer.

O presidente do SEHAV, André Yuki, afirma que a Fundação não fez qualquer menção sobre o evento “Rango de Rua”. Além disso, o empresário afirma que ficou descontente com a afirmação de que não existem iniciativas para o setor em Varginha. “Nós co-realizamos o Festival Gourmet de Varginha, o Rota do Sabor Gourmet e outras atividades para alavancar o setor. O sindicato sempre foi muito atuante neste sentido”, registrou André.

Além disso, o Festival Gourmet de Varginha ganhou tamanha repercussão que foi inserido no calendário oficial de evento do município, como você pode conferir neste link.

Afinal, Graça de Moura vive uma realidade paralela ou só quer aparecer menosprezando o que a cidade tem produzido?

Movimento Pró Cultura Varginha
A população de Varginha em parceria com os produtores culturais que investem na cidade estão lutando em defesa dos seus interesses. O Movimento Pró Cultura acontece no dia 02 de agosto, às 10h em frente à Prefeitura Municipal de Varginha. Entre as reivindicações do grupo está o respeito nas relações com os empreendedores culturais de Varginha, não permissão de Food Trucks na cidade visto que que estes geram evasão de divisas, utilização da verba pública com mais atenção nas ações culturais do município e mudança do presidente da Fundação, como já foi requisitado em outros momentos de divergência.

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