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Preços no varejo online voltam a cair

Preços no varejo online voltam a cair
10:58 am ,14 de março de 2016

O Índice FIPE/Buscapé teve queda mensal de -0,38% em fevereiro/16, após cinco sucessivos meses de elevação. Esta variação compensou parte do expressivo aumento de 2,85% de janeiro/16, mas não foi tão expressiva quanto a queda de -1,91% de fevereiro/15, implicando em elevação da variação acumulada nos últimos 12 meses, que reflete a elevação geral dos preços e a desvalorização do real. A série de 61 meses – mais de cinco anos – é caracterizada pela queda de preços em 44 meses, ou 72% do período, conforme ilustra a figura 1. As variações de preços predominantemente negativas do Índice FIPE/Buscapé expressam o dinamismo e competitividade do setor de e-commerce, e a natureza dos produtos que são mais frequentemente comprados no mesmo.

Dos dez grupos de produtos que compõem o Índice FIPE/Buscapé, sete apresentaram queda de preço no mês de fevereiro/16, conforme a figura 2: Brinquedos e Games (-2,20%), Eletrônicos (-1,66%), Moda e Acessórios (-0,93%), Esportes e Lazer (-0,81%), Telefonia (-0,69%), Cosméticos e Perfumaria (-0,64%) e Eletrodoméstico (-0,31%). Das 159 categorias pesquisadas, 71, ou 45%, tiveram queda média de preço de -1,36%, com destaque para: “MP3/MP4 player” (-5,24%), “ventilador/circulador” (-4,84%), “mala” (-4,62%), “patins” (-4,30%), “bonecas” (-3,77%), “climatizador” (-3,14%) e “home theater” (-2,67%). Três dos dez grupos tiveram aumento de preço: Casa e Decoração (1,56%), Fotografia (0,84%) e Informática (0,58%). Das 159 categorias de produtos pesquisadas no mês de fevereiro, 88, ou 55%, tiveram aumento médio de preço de 1,15%, com destaque para: “cozinha completa” (5,66%), “kit de som/alto falante” (3,99%), “sofá estofado” (3,44%), “impressora” (2,95%), “forno elétrico” (2,72%), “aspirador de pó” (2,64%) e “secadora de roupa” (2,57%).

Considerando-se as variações anuais (mês t/mês t-12), manteve-se a expressiva reversão de tendência ao longo dos últimos onze meses em 2015 e 2016 – abril/15 (1,37%), maio/15 (1,21%), junho (0,26%), julho (2,03%), agosto (1,98%), setembro (3,54%), outubro (4,17%), novembro/15 (6,92%) e, principalmente dezembro/15 (9,24%), janeiro/16 (9,01%) e fevereiro/16 (10,72%) –, dado que a variação média anual estava em um patamar de -3%, conforme ilustra a figura 3. Se observar-se o início da série do Índice FIPE/Buscapé, a variação anual passou de um patamar de cerca de -10% para cerca de +10%, ou seja, a variação anual aumentou cerca de 22%. Esta reversão reflete a aceleração da inflação geral, que medida pelo IPCA passou de um padrão de variação anual de 6,5% para 10,5%, e também a recente valorização do dólar, que apresenta forte ascensão ao longo do ano: 1º tri15/14 (21,6%), 2º tri15/14 (37,7%), 3º tri15/14 (54,8%) e 4º tri1/14 (50,7%). É importante ressaltar, neste sentido, que algumas categorias que têm peso significativo no e-commerce são influenciadas de forma defasada pelo aumento do mesmo: eletrônicos, informática, fotografia e telefonia.

Os preços no comércio eletrônico têm variação anual 1,5% inferior à variação dos preços médios do IPCA no período Jan16/Jan15, e que enquanto neste período os preços do e-commerce subiram 9,01%, o IPCA registrou aumento de 10,71%. Ao longo de 2012 – antes do impacto da desvalorização cambial sobre os preços dos produtos importados, que têm grande peso no e-commerce – a variação do Índice FIPE/Buscapé era cerca de 13% inferior à variação dos preços médios da economia. Os números da série em geral traduzem uma significativa competitividade dos preços dos produtos comercializados no e-commerce em relação aos preços médios que compõem o orçamento familiar, explicando parcialmente o crescimento do setor, que em 2015 foi de 15,3% em termos nominais, e de 13,3% em termos reais, com base na variação média anual de 1,79% do Índice FIPE/Buscapé.  Este crescimento é bastante relevante considerando-se que o PIB caiu -3,8%, e significa que o e-commerce teve um crescimento de 17,7% acima da economia neste contexto recessivo.

No período anual fevereiro16/fevereiro15, dos dez grupos pesquisados, oito apresentaram aumento de preço e apenas 2 apresentaram queda, havendo expressiva diferença entre os grupos de produtos que compõem o índice, que vai de uma queda de -7,61%, em Moda e Acessórios, a um aumento de 17,54% em Informática, conforme ilustra a figura 5. Das 159 categorias pesquisadas, 149, ou 94%, tiveram aumento médio de preço 12,86%, e apenas 10, ou 6%, tiveram queda média de preço de -2,90%.

O grupo com maior queda anual de preço em fevereiro16/fevereiro15 foi Moda e Acessórios (-7,61%), muito influenciado por “tênis” (-11,01%), e o segundo grupo com queda de preço foi o de Telefonia (-1,14%) – devido a “celular/smartphone” (-1,78%). O grupo com maior aumento de preço foi o de Informática (17,54%) –  no qual destacaram-se “cartucho para impressoras” (21,47%) e “notebook” (20,63%). Este grupo foi seguido por Eletrodomésticos (13,29%), influenciado pelos aumentos de preços em “climatizador” (24,62%) e “grill elétrico/sanduicheira” (22,39%).

Entre todos os produtos que compõem o índice, os que tiveram aumentos destacados no período anual fevereiro16/fevereiro15, além dos já citados, foram: “coifa/exaustor” (22,90%), “secador de cabelos” (21,77%), “jogo de panelas” (21,06%), “lavadora de alta pressão” (19,52%), “churrasqueira” (18,82%), “processador” (18,18%), “depilador elétrico” (17,87%), “ventilador/circulador” (17,26%) e “tablet” (16,92%). Os que tiveram maiores quedas foram: “tênis” (-11,01%), “piscina” (-10,60%), “cooler para bebidas” (-6,30%) e “bonecos e personagens” (-0,38%).

Os aumentos anuais de 10,72% do Índice FIPE/Buscapé no período fevereiro16/fevereiro15, 9,01% em janeiro/16 e 9,24% em dezembro/15 revertem uma longa série de quedas anuais e aproximam-se bastante das variações dos índices gerais, como o IPCA-IBGE e o IPC-FIPE, que tiveram aumento anual de preço de 10,71% e 10,80%, respectivamente, no período janeiro16/janeiro15. A reversão e aproximação dos índices deveram-se particularmente ao impacto do câmbio sobre os produtos que são predominantemente comprados por meio do e-commerce. Os principais fatores que explicam as diferenças de preços no período anterior à convergência são: a) o Índice de Preços FIPE/Buscapé monitora uma cesta de produtos diferente daquela avaliada pelos índices de preços gerais, ou seja, apenas aqueles produtos que são comercializados de forma mais significativa por meio da internet; b) os pesos dos produtos que compõem o Índice FIPE/Buscapé são bastante diferentes dos pesos dos mesmos produtos nos índices genéricos; c) o canal de distribuição monitorado pelo Índice FIPE/Buscapé é exclusivamente o e-commerce, enquanto os outros índices monitoram vários outros canais tradicionais e físicos.

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