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Receita da indústria mineira recua 14,4%

Receita da indústria mineira recua 14,4%
13:00 pm ,8 de junho de 2015

por Leonardo Francia*

O desempenho da indústria mineira nos quatro primeiros meses deste ano foi nada promissor. A receita do setor caiu 14,4% em relação ao mesmo quadrimestre de 2014. Além disso, outros indicadores importantes, como nível de emprego e horas trabalhadas na produção, também ficaram negativos. Somente em abril o faturamento do parque fabril registrou queda de 7,1% na comparação com março. Os dados são da Pesquisa Indicadores Industriais (Index), divulgada na quarta-feira pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

O resultado até abril deve fazer com que a entidade, mesmo depois de já ter revisado para baixo, no fim do primeiro trimestre, as previsões de faturamento e produção do setor em 2015, volte a rever as projeções deste exercício, também para baixo, ao fim de junho. Até agora, a Fiemg prevê quedas de 2,6% na produção e de 5,2% na receita.

“Nossa perspectiva será revisada, e para baixo”, afirmou o presidente do Conselho de Política Econômica Industrial da Fiemg, Lincoln Gonçalves Fernandes, ante o descompasso entre o desempenho até agora, com queda de 14,4% na receita do quadrimestre e a previsão para o ano, de retração de 5,2%.

Além da desaceleração da economia nacional e do encolhimento da demanda tanto interna quanto externa, a concentração da atividade industrial estadual em poucos e importantes segmentos foi um dos fatores que puxaram o desempenho do parque mineiro para baixo. Para o gerente de Economia e Finanças da Fiemg, Guilherme Leão, Minas tem um parque mais concentrado em alguns setores do que a média nacional. Na sua avaliação, quanto mais diversificada a atividade, menores são os riscos de retração, o que não é o caso do Estado.

A indústria automotiva, por exemplo, com uma queda 31,2% na receita do primeiro quadrimestre deste ano ante igual período de 2014, foi a que mais pesou para a redução do faturamento do setor. De acordo com a Fiemg, a cadeia automotiva, considerando como um todo, desde a base até a ponta, representa em torno de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) do setor em Minas.

Na mesma comparação, e completando a lista de importantes segmentos com desempenho negativo que pesaram para o resultado global do acumulado até abril, estão as quedas de 52% na indústria de máquinas e equipamentos, de 7,1% na metalurgia básica (siderurgia e ferro-gusa) e de 7,7% no segmento de alimentos.

A receita da indústria extrativa, outro segmento de peso para a economia estadual e para o setor industrial, por outro lado, cresceu 4% de janeiro a abril frente ao acumulado dos mesmos meses de 2014. Mesmo assim, o setor está brigando para sustentar seus resultados e tendo que compensar as quedas dos preços internacionais da principal commodity de exportação do Estado, o minério de ferro, com maior volume de produção.

Empregos – Além da perda de receita, a indústria mineira também está perdendo empregos. Conforme o Index, de janeiro a abril a queda no número de postos de trabalho foi de 3,4% em relação aos mesmos meses de 2014, com destaque negativo para os segmentos de bebidas e máquinas e equipamentos, com retrações de 20,4% e 19,6%, respectivamente. Na comparação de abril com março, a queda de postos de trabalho do parque mineiro foi de 1,8%.

O economista da Fiemg lembrou ainda que, com base em dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o saldo do emprego formal do setor no Estado nos últimos 12 meses terminados em abril ficou negativo em cerca de 63 mil vagas. Este número representa em torno de 24% do saldo, também negativo, da atividade no País em todo o período (redução de 263,4 mil empregos).

“Na indústria, o trabalhador não é demitido por causa do resultado de um mês, mas de resultados de longo prazo e da falta de perspectivas”, lamentou o economista da Fiemg. Segundo Leão, a crise econômica atual do País tem dois lados. “Um está ligado à redução do consumo das pessoas e o outro, ao corte de investimentos, que leva à ociosidade, aos estoques elevados e à falta de investimentos”, completou.

No âmbito geral, os dados do Index também mostraram que o indicador de horas trabalhadas na produção da indústria mineira, que reflete a produtividade do funcionário, fechou o primeiro quadrimestre negativo em praticamente 10% frente o mesmo período de 2014. Neste confronto, a massa salarial também caiu 9,6% e o rendimento médio, 6,4%, ambos impactados pela perda de postos de trabalho.

*Leonardo Francia é repórter do Diário do Comércio.

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