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Varejo aposta em trabalhadores mais maduros

Varejo aposta em trabalhadores mais maduros
14:00 pm ,10 de outubro de 2016

Um levantamento feito pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo indica que, em meio à crise nas vendas, o comércio varejista dispensou trabalhadores jovens e apostou na contratação de funcionários mais maduros. Do total de vagas cortadas no setor, 91,6% ocorreram entre trabalhadores com até 24 anos de idade, ou seja, 157,6 mil jovens perderam seus empregos. Embora tenha havido redução nas vendas, foram geradas 27,8 mil vagas no comércio varejista para trabalhadores com mais de 50 anos.

Segundo Edmour Saiani, especialista em gestão de atendimento e diretor da consultoria Ponto de Referência, esse quadro reflete uma busca por profissionais mais experientes, maduros e estáveis. “Os maduros são potencialmente mais estáveis do que os jovens. São responsáveis e precisam muito do salário. Nem todos os jovens têm essa mesma necessidade. O tempo de convívio com os pais se estende, hoje, até quase 30 anos e quem não arca com custos fixos pode troca de emprego com maior facilidade”, analisa Edmour.

Em um momento delicado para a economia, funcionários mais experientes agregam ao trabalho paciência, experiência em lidar com as situações de conflito e credibilidade, fatores que são garantia de maior competência e afinidade com a função e os clientes. Por outro lado, é preciso avaliar se o funcionário mais maduro tem a energia necessária para a demanda árdua que o varejo exige. “Ficar em pé oito horas por dia não é para qualquer um. Em centrais de atendimento as pessoas mais estáveis são mulheres de meia-idade com filhos e sem marido. Elas precisam muito do emprego, então se mantêm mais tempo na vaga”, indica o especialista.

De acordo com o levantamento, a maioria das demissões atingiu trabalhadores de baixa escolaridade. Entre as dez profissões com maior participação na força de trabalho do varejo, a que mais teve vagas cortadas foi a de auxiliar administrativo, com redução 45,8 mil postos de trabalho. Já os vendedores, categoria profissional responsável por 33,9% da força de trabalho do varejo, perderam 33,8 mil vagas em 2015.

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