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Carência de profissionais em cyber segurança facilita crimes na internet

Carência de profissionais em cyber segurança facilita crimes na internet
11:00 am ,15 de fevereiro de 2019

Se vagas de emprego são escassas para alguns, para profissionais da área de cyber segurança o que não faltam são ofertas de trabalho. Segundo conduzido pela (ISC)2 principal organização sem fins lucrativos dedicada à certificação de profissionais de segurança da informação, existem hoje cerca de 2,9 milhões de vagas disponíveis nessa área em todo o mundo. Só na América Latina, onde se encontram alguns dos países mais vulneráveis para crimes cibernéticos, incluindo o Brasil, o número de vagas deve chegar a 130 mil até 2020.

“As ameaças nesse setor cresceram muito rápido nos últimos anos e passaram de ações de hackers quase inofensivos para crimes sofisticados envolvendo governos de diferentes países”, diz Vagner Nunes, Country Manager da (ISC)2 no Brasil e autor do livro em inglês The Cyber Skill, sobre a carência global de mão de obra na área. “Esse fenômeno não foi acompanhado pelas universidades, que ainda não conseguem capacitar profissionais na mesma velocidade da demanda”, explica o especialista, que também ministra palestras e webinars para orientar profissionais de IT e Segurança sobre as oportunidades e requerimentos para ter sucesso na carreira.

Com poucos combatentes no front, criminosos virtuais aproveitam para invadir sistemas privados e roubar dados sigilosos. No início do ano, o chamado Collection #1, um dos maiores vazamentos de dados da história da internet, divulgado pelo pesquisador australiano Troy Hunt, expos cerca de 773 milhões de e-mails e mais de 20 milhões de senhas, facilitando a ação de invasores em múltiplos serviços online, incluindo contas bancárias.

O crime engrossa a lista que revela o tamanho da crise no setor. Segundo pesquisa da Symantec, nos últimos dois anos houve um aumento de 600% em ataques ao sistema IOT (termo em inglês para definir “internet de todas as coisas”), o que inclui smartphones, tablets, notebooks e desktops. Em 2017, o crime cibernético gerou um prejuízo de quase US$ 600 bilhões (0,8% do PIB mundial), segundo levantamento da McAfee, em parceria com a Center for Strategic and International Studies (CSIS).

“Estamos em um cenário de guerra sem exército de defesa”, afirma Vagner. Segundo o especialista, a razão do desequilíbrio entre a oferta de mão de obra qualificada e as necessidades do mercado começa com a falta de entendimento claro sobre os requerimentos da área. “Profissionais competentes em modalidades legais, analíticas e mecânicas podem desenvolver uma carreira promissora nesse setor, mas muitos simplesmente desconhecem os caminhos para ingressar na área. Daí minha iniciativa de criar o projeto The Cyber Skill Gap”.

Segundo estudo da empresa inglesa Kaspersky Lab, as mulheres são minoria no ramo, com apenas 11% do total da força de trabalho. A pesquisa mostra que, em geral, elas têm menos confiança sobre possuir os atributos exigidos para exercer a atividade. “As mulheres podem agregar valor significativo para este setor, considerando habilidades naturais tais como precisão nos detalhes e mente analítica, provendo soluções práticas”, escreveu Longinus Timochenco, colunista da Crypto ID e Diretor de Cyber Defense da Stefanini Rafael na América Latina.

A crescente demanda por profissionais de cyber segurança tem botado pressão nos departamentos de Recursos Humanos, que agora precisam de um sistema de recrutamento que dê conta de encontrar e reter talentos altamente assediados pelo mercado.

Por hora, apesar do stress em tempos onde é preciso se fazer muito com pouco, 68% dos trabalhadores de segurança cibernética entrevistados pela (ISC)2 se declararam “muito satisfeitos” com seus trabalhos no setor, onde os salários no Brasil giram torno de R$ 4 mil (cargos de analista), R$ 15 mil (gerentes de segurança) até R$ 25 mil em cargos de diretoria.

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